Como a lógica Empreendedora pode te ajudar a traçar “Metas de Fim de Ano”
Gabriel A. Abrahão
12/19/20245 min read


Fim de ano é o momento clássico para refletir sobre o que foi alcançado, ajustar expectativas e traçar metas para o ano seguinte. No entanto, quando se trata de planejar metas, muitas vezes utilizamos a lógica tradicional de "causation": definimos um objetivo claro, traçamos um plano detalhado e seguimos os passos necessários para alcançá-lo. Essa abordagem, embora eficaz em muitos casos, pode ser limitada em ambientes incertos ou em situações em que os recursos disponíveis não são ideais.
É aqui que entra a lógica do effectuation, uma lógica empreendedora que parte dos recursos disponíveis e se adapta ao longo do caminho. Neste artigo, exploramos como esses dois modelos podem ser contrapontos úteis para estabelecer metas de fim de ano e estar pronto o próximo ciclo com propósito e flexibilidade.
Effectuation: Navegando pelas Incertezas
A lógica do effectuation, desenvolvida pela pesquisadora Saras Sarasvathy, desafia a ideia de que é necessário um planejamento detalhado para alcançar o sucesso. Em vez disso, o empreendedor ou líder começa com os recursos que tem em mãos, como conhecimentos, habilidades e rede de contatos, e trabalha para construir objetivos ao longo do caminho.
Os cinco pilares do effectuation ajudam a ilustrar essa abordagem:
Pássaro na mão: Trabalhe com o que você tem no momento. Quando você tem recursos limitados, essa abordagem ajuda a evitar a paralisia por falta de condições perfeitas.
Perda acessível: Avalie riscos com base no que está disposto a perder, e não apenas no que pode ganhar.
Colcha de retalhos: Forme parcerias estratégicas para ampliar seus recursos e conhecimentos.
Limonada: Transforme contratempos e imprevistos em oportunidades.
Piloto do avião: Concentre-se no que pode controlar, ajustando o curso conforme necessário.
Essa abordagem é particularmente útil em situações imprevisíveis, onde fatores externos mudam rapidamente, como em mercados dinâmicos ou em períodos de crise.
Causation: Planejamento Estratégico e Foco no Objetivo
Por outro lado, a lógica da causation é mais linear e baseada em planejamento. Nessa abordagem, o líder define um objetivo específico e elabora uma estratégia detalhada para alcançá-lo. Ela é ideal para cenários em que o caminho até o sucesso é claro e previsível, como alcançar metas de vendas bem estruturadas ou executar um projeto com um mercado definido.


Metas de Fim de Ano: Qual Abordagem Usar?
Ambas as abordagens têm seu espaço, mas a escolha depende do contexto e das condições enfrentadas por cada pessoa. Aqui estão alguns exemplos práticos de como aplicar cada uma:
Metas Pré-definidas e Estratégias Estáveis (Causation) Um exemplo de causation seria perder 5 kg até o final do ano. Primeiro, você define claramente o objetivo (perder 5 kg). Em seguida, planeja os meios necessários para alcançá-lo, como se inscrever em uma academia, seguir uma dieta específica recomendada por um nutricionista e fazer 30 minutos de exercício por dia. Durante o processo, você monitora seu progresso semanalmente e faz ajustes na estratégia, caso necessário. Esse é um exemplo de abordagem estruturada e orientada pelo planejamento para atingir um objetivo definido.
Adaptação a Desafios e Incertezas (Effectuation) Um exemplo de effectuation seria começar com os recursos que você já tem e criar uma meta a partir disso. Por exemplo, você decide que quer melhorar sua saúde, mas não tem um objetivo específico nem um plano fechado. Você começa avaliando o que já está disponível: percebe que tem uma bicicleta guardada em casa, gosta de cozinhar refeições saudáveis e tem um amigo que gosta de caminhar no parque. Com base nisso, você decide começar a pedalar três vezes por semana, experimentar novas receitas saudáveis e caminhar com seu amigo nos fins de semana. À medida que avança, você ajusta a meta conforme descobre o que funciona melhor e o que te motiva, sem depender de um objetivo inicial rígido. Essa abordagem é mais flexível e adaptativa.
Como Integrar Effectuation e Causation
Embora sejam distintas, essas abordagens não precisam ser mutuamente exclusivas. Um planejamento híbrido pode ser a chave para o sucesso:
Planeje, mas seja flexível: Defina metas iniciais com base em um plano (causation), mas permita ajustes conforme novas oportunidades e desafios surgirem (effectuation).
Aprenda com a prática: Enquanto executa, use o aprendizado prático para ajustar metas e identificar novas possibilidades.
Equilibre controle e adaptação: Priorize o controle do que pode ser influenciado, mas esteja aberto a contingências.
Conexão com Propósito: Mais do que Metas
Tanto no effectuation quanto no causation, há um ponto em comum: metas bem definidas devem estar alinhadas a um propósito claro. Afinal, estabelecer metas não é apenas sobre números ou resultados, mas sobre o impacto que se deseja alcançar.
Por isso, ao traçar metas de fim de ano, pergunte-se:
Qual é o propósito por trás dessas metas?
Elas refletem os valores e objetivos da organização ou equipe?
Como elas podem gerar impacto além dos resultados imediatos?


Como usar o Effectuation para Metas de Fim de Ano
Foque no que você tem, não no que falta: Em vez de esperar recursos ideais, identifique como os ativos atuais podem ser utilizados para criar valor.
Aceite o que você pode perder: Ao traçar metas, não se apegue apenas aos ganhos. Pergunte-se: qual perda seria aceitável se os resultados não fossem os esperados?
Invista em parcerias estratégicas: Muitas vezes, o sucesso não vem de trabalhar sozinho, mas de alianças que ampliam sua capacidade de execução.
Seja flexível com imprevistos: Use contratempos como oportunidades para inovar e ajustar sua abordagem.
Controle o que é possível: Não desperdice energia tentando controlar o incontrolável; concentre-se nas variáveis que você pode influenciar diretamente.
Metas alinhadas equivalem a estratégias eficazes
As metas de fim de ano, quando alinhadas a estratégias eficazes e flexíveis, podem ser uma oportunidade para empresas e equipes não apenas atingirem resultados, mas criarem impacto duradouro. A escolha entre effectuation e causation — ou a combinação de ambas — dependerá do contexto, mas a essência é clara: seja adaptável, estratégico e guiado por um propósito maior.
Ao final, o importante não é apenas bater a meta, mas construir um caminho sustentável para o sucesso nos anos que virão. Afinal, o futuro pertence àqueles que sabem equilibrar planejamento e improviso, controle e adaptação.
Referências
DONATO, Lilian. Effectuation: o que é, diferença para causation e exemplos. Disponível em: https://blog.aevo.com.br/effectuation/
Effectuation e causation: quais as diferenças? Disponível em: https://blog.abcontent.com.br/effectuation/
MANCIOLA, Carol. 5 caminhos para se destacar e bater metas no fim de ano. Disponível em: https://exame.com/bussola/5-caminhos-para-se-destacar-e-bater-metas-no-fim-de-ano/
